O Que Deu Errado na Aliança Lula-Campos?

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
247 – Para muitos analistas políticos, o ex-presidente Lula e o governador pernambucano Eduardo Campos tinham tudo para selar uma aliança política duradoura. E que poderia até se expressar numa chapa presidencial em 2014, caso a presidente Dilma Rousseff decidisse não concorrer à reeleição. Lula seria o candidato; Campos, o vice. Outra possibilidade seria trabalhar para que o pernambucano tomasse o lugar de Michel Temer, na chapa de Dilma, em 2014.

Eduardo Campos trabalhou muito nessa direção. O primeiro movimento se deu em São Paulo, quando a direção nacional do PSB interveio no diretório municipal e impôs o apoio à candidatura de Fernando Haddad – a principal liderança local, o deputado federal Marcio França, defendia o apoio a José Serra.

Ato contínuo, o PSB indicou a ex-prefeita Luiza Erundina como vice de Haddad e veio então a famosa foto com Paulo Maluf. A partir daí, tudo desandou. Erundina desistiu de ser vice e o PSB se viu relegado a um papel secundário em São Paulo – perdeu a vice para o PC do B, que indicou Nádia Campeão para o lugar.

Depois disso, PT e PSB romperam em duas capitais importantes: Recife e Belo Horizonte. Na capital pernambucana, tudo começou com a confusão armada pelo próprio PT, que vetou a reeleição de João da Costa. Como não havia mais coesão na Frente Popular, Campos lançou seu secretário Geraldo Júlio como candidato e fechou o apoio até do PMDB de Jarbas Vasconcelos, arquirrival de Lula.

Lula foi a Recife, encontrou-se com o governador pernambucano, mas Campos bateu o pé e manteve a candidatura própria do PSB. Revoltado, o presidente do PT, Rui Falcão, incitou a militância petista a se levantar contra o PSB no Recife. Se isso ainda não aconteceu em Pernambuco, a revolta foi vista em Minas neste sábado, quando os petistas decidiram romper com o atual prefeito, Márcio Lacerda, que é o do PSB.

Não bastasse, após uma aliança de oito anos, PSB e PT romperam também em Fortaleza, onde os socialistas homologaram a candidatura do presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cláudio. O partido do governador Cid Gomes não concordou com a candidatura de Elmano de Freitas, pelo PT, e entregou todas as secretarias que tinha na prefeitura petista de Luizianne Lins.

Depois de tudo isso, a pergunta que se coloca é: quais serão as repercussões para 2014? PT e PSB estarão juntos? Há muito tempo, lideranças petistas, como José Dirceu, têm demonstrado preocupação com as ambições presidenciais de Eduardo Campos. E se os dois partidos não foram capazes de articular uma aliança no plano municipal, não será simples curar as feridas até 2014.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OPERAÇÃO UNBLOCK

Nota de Esclarecimento

Nota à Imprensa