Espanha Pede à Europa € 100 bi para Bancos

MADRI e WASHINGTON — Caiu a maior peça no dominó da crise da dívida na zona do euro. Primeiro foi a Grécia, em maio de 2010, seguida de Irlanda e Portugal. Depois de negar várias vezes, a Espanha pediu no sábado, um socorro financeiro, que será de até € 100 bilhões (R$ 250 bilhões), a fim de evitar o colapso de seu setor financeiro. O valor exato só será fixado após a conclusão das auditorias externas nos bancos espanhóis, o que deve ocorrer até o dia 21. O Eurogrupo, formado pelos ministros de Finanças da zona do euro, afirmou em nota que o montante precisa cobrir as necessidades de capital dos bancos “com uma margem de segurança adicional, estimada em um total de até € 100 bilhões”.

— O governo espanhol anuncia sua intenção de pedir capitalização europeia — afirmou o ministro de Economia do país, Luis de Guindos, após teleconferência do Eurogrupo.

Ele defendeu a adoção de uma “ampla margem de segurança” para justificar a diferença entre o montante combinado e as estimativas feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para as necessidades dos bancos espanhóis. Estas, conforme relatório divulgado ontem, são de € 40 bilhões. Mas a agência de classificação de risco, ao rebaixar a nota da Espanha na última quinta-feira, divulgou projeções de € 50 bilhões a € 100 bilhões.

Holanda e Finlândia teriam feito objeções

Para Edmund Shing, diretor de Estratégia do Barclays na Europa, o montante de € 100 bilhões é encorajador e realista:

— É uma tentativa de resolver o problema — disse Shing à agência de notícias Reuters. — O problema, no entanto, é que ainda faltam detalhes sobre de onde virão os recursos, o que é crucial. O mercado vai tratar o assunto com cautela até que isso seja definido.

Segundo o Eurogrupo, os recursos virão ou do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), que dispõe de € 440 bilhões, ou do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Este, permanente, entra em vigor em julho e terá € 500 bilhões.

Guindos também ressaltou que a ajuda, por ser direcionada ao setor financeiro, não implicará um novo programa de austeridade para o país.

— Como os recursos solicitados são para atender às necessidades do setor bancário, as condições, conforme acordado na reunião do Eurogrupo, serão aplicáveis especificamente ao setor financeiro — afirmou o ministro espanhol.

O governo estima como problemáticos 30% do setor bancário. Fazem parte desse grupo, entre outras, as instituições financeiras Bankia (já nacionalizada), Catalunya Caixa, Novacaixagalicia, Banco de Valencia, Ibercaja e Liberbank.

Autoridades da UE e da Alemanha citaram o orgulho nacional da quarta maior economia da zona do euro como uma barreira para pedir um programa de ajuda completo.

A reunião, que durou cerca de duas horas e meia e teve a participação da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, foi tensa, segundo fontes. A Alemanha concordou com um “resgate suave”, com ajustes apenas para os bancos. Segundo um alto funcionário do governo espanhol, o presidente Mariano Rajoy havia obtido essa concessão em suas conversas com a chanceler Angela Merkel.

No entanto, em última instância, de acordo com o comunicado do Eurogrupo, o Estado espanhol será responsável pelos recursos. Ou seja, se os bancos não pagarem o empréstimo, a conta cairá nas mãos dos contribuintes espanhóis.

Holanda e Finlândia foram os mais duros na negociação. A Finlândia afirmou que, se o dinheiro sair do Feef, a Espanha terá de oferecer garantias. Já a Holanda queria a participação do FMI no socorro. A Espanha rejeitava essa proposta, porque não queria ficar estigmatizado nos mercados. No fim, ficou acertado que o FMI supervisionará a situação dos bancos que receberem os recursos. O organismo, disse Guindos, terá um “papel de assessoria e apoio” na implementação do programa.

EUA dão apoio: é um passo concreto para união fiscal

Em sua nota, Lagarde afirmou que o FMI está pronto para ajudar na implementação do socorro aos bancos espanhóis. Ela disse ainda que o montante é consistente com as estimativas do organismo e que deve garantir “que as necessidades financeiras do sistema bancário da Espanha sejam satisfeitas”.

Outra mensagem de apoio veio do secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner. “Vemos com satisfação a ação da Espanha para recapitalizar seu sistema bancário, bem como o compromisso de seus parceiros europeus em dar apoio”, disse Geithner em comunicado. “Esses são passos importantes para a saúde da economia espanhola e passos concretos na direção de uma união financeira, que é vital para a resiliência da zona do euro.”

Já o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, afirmou que Madri estava dando “um grande passo” para controlar seus problemas econômicos e financeiros. Ele disse ainda acreditar que a Espanha conseguirá controlar seus problemas bancários.

Teme-se que Chipre seja o próximo país da zona do euro a cair. A Europa e o mundo esperam que a gangrena pare aí e não alcance uma economia maior que a espanhola: a Itália

O Globo

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