Sessão da CPI é Encerrada Após Silêncio e Sarcasmo
Marcada pelo silêncio do contraventor Carlinhos Cachoeira, que arguiu o direito constitucional de ficar calado, a mais aguardada sessão da CPI do Cachoeira terminou em frustração. Serviu, ao menos, para que o ex-ministro da Justiça e advogado Marcio Thomaz Bastos, autor da estratégia do silêncio, fosse coberto de elogios por diferentes parlamentares. "Competente", foi a palavra mais dita. Cachoeira, agora, terá um encontro oficial com a Justiça, na 11ª Vara Criminal de Goiás, no dia 31 de maio ou 1º de junho, quando será novamente inquirido.
Durante as quase três horas da sessão, Carlinhos Cachoeira repetiu que se valia do direito constitucional de ficar calado. "Não somos palhaços", disse um parlamentar. "Ele é uma múmia", classificou a senadora Katia Abreu (PSD-TO), que pediu formalmente o encerramento da sessão. "Eu não fiz as perguntas que eu gostaria de fazer para não dar o ouro ao bandido", disse o relator Odair Cunha (PT-MG). "Não poderíamos esperar nada diferente de um chefe de quadrilha". O receio de que perguntas ajudariam na articulação da defesa uniu os parlamentares, que, depois de algum debate, encerraram a sessão.
Quem falou
Como esperado, Cachoeira sentou-se no banco dos réus da CPI do Cachoeira para não falar nada. "Como manda a Constituição", sustentou. "Vou usar o meu direito constitucional de ficar calado", respondeu ele sobre se conhece e como era o trabalho dele com o araponga Adalberto Araújo, o Dadá. Antes, diante de questão do relator Odair Cunha (PT-MG), Cachoeira disse: "Essa pergunta é muito boa para eu responder depois", respondeu, com um leve sorriso nos lábios. "Essa comissão não é formada por palhaços", rebateu um parlamentar. Uma proposta, então, foi feita a Cachoeira, pelo deputado Silvio Costa (PTB-PE): depor em uma sessão secreta. "Vamos ver isso com os nossos advogados", despistou, negando a alternativa.
Um a um, os parlamentares foram questionando o bicheiro, ouvindo sempre que não haverá resposta antes da audiência judicial de Cachoeira. O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) questionou Cachoeira sobre sua relação com a Delta, e em âmbito nacional. "Aceitaria proposta de delação premiada?", questionou, acrescentando que o silêncio de Cachoeira denota "o desrespeito do criminoso".
"Não brinque com esta CPMI. Aqui não existe deputados e senadores que se corromperam na mão do seu Carlos Cachoeira", acrescentou Francischini. "É muito triste para essa comissão que tenhamos a presença do senhor Carlos Augusto na no CPMI e infelizmente não poderemos obter respostas para as perguntas dos parlamentares", acrescentou o deputado Filipe Pereira (PSC-RJ).
O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) até tentou despistar, perguntando se Cachoeira estava sendo bem tratado na cadeia e como estava se sentindo enquanto preso, mas, nem assim, obteve resposta. "Nós não somos teu", finalizou, aludindo de forma provocativa à mensagem que o colega Cândido Vaccarezza (PT-SP) enviou para o governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, na última reunião da CPI.
Incômodo
Irritada, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) propôs o encerramento da comissão, “que está se tornando ridícula”. “Estamos perguntando para uma múmia. O que as pessoas em casa vão pensar de nós? Não vou ficar dando ouro para bandido”. O senador Fernando Collor (PTB-AL), contudo, discordou da proposta, pois disse que tinha o direito de dar suas opiniões sobre o assunto, assim como fizeram seus colegas.
Minutos depois, ficou explicado por que Collor queria falar. O senador revelou o conteúdo de mais uma ligação trocada entre o jornalista Policarpo Jr., da Veja, e Cachoeira. Segundo Collor, Policarpo ligou a Cachoeira para confirmar se o médium João de Deus, de Abadiânia (GO), havia viajado a Caracas para consultar o presidente venezuelano Hugo Chávez.
Collor disse ainda ter a informação de que “o senhor Policarpo Jr. tinha reuniões frequentes no antigo hotel Melia, hoje Brasil 21, onde há uma charutaria chamada Churchill”. Segundo o senador, os encontros entre o jornalista e o bicheiro eram realizados “semanalmente”.
Após uma série de intervenções inócuas e diante da insistência de Cachoeira em permanecer calado, a audiência foi encerrada.
Brasil 247

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