Pulou o corgo?
Vinicius Mota Folha de S. Paulo Para as decisões fundamentais da vida e da história, a tradição cunhou uma expressão grave. Quem atravessa o Rubicão, como o general romano que cruzou esse rio para desafiar a República, sabe que não terá caminho de volta. Não encontrará meio-termo entre a glória e a humilhação. Na política brasileira, não precisamos ser tão radicais assim. Quem diz que não foi, como o ex-prefeito Kassab sobre a adesão ao governo Dilma, pode ter ido. Ou ter ficado no meio do caminho, com a água batendo no tornozelo. Adotemos, para o bem da nossa nação, um termo mais flexível e amigável: pular o corgo. 'Corgo' é corruptela de 'córrego', muito conhecida no interior. A palavra pode soar até mais caudalosa que o necessário -um arroio, um regato, um fiozinho de água bastariam para esse propósito. Mas passemos.