VLTs estão parados desde o início do ano
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
JC Online
A greve dos funcionários do metrô do Recife, deflagrada ontem, é reflexo de um problema que vai além dos salários defasados e da falta de estrutura denunciados pelo sindicato da categoria. Os trabalhadores aproveitam a paralisação para expor as deficiências graves do sistema que transporta 280 mil pessoas por dia, a maioria composta por pessoas que dependem do transporte público e, principalmente, da integração tarifária para se locomover. Mesmo com essa importância, o serviço não vem, conforme os trabalhadores, recebendo a atenção que deveria do governo federal.
Os metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) afirmam que faltam peças de manutenção e funcionários para fazer a limpeza dos trens e estações, bem como para operar novas composições, como os Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), que deveriam estar rodando desde o início do ano entre Cajueiro Seco, última estação de Jaboatão dos Guararapes, e o Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife.
“O metrô do Recife é bom apenas por fora, na aparência. É uma carcaça. Por dentro está corroído. Faltam material de limpeza e peça para apertar os parafusos. Quem olha de fora vê os trens reformados, com ar-condicionado, e não sabe que foram necessários mais de cinco anos para que esse processo fosse concluído. Recentemente tivemos que acionar judicialmente a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos, gestora do sistema) para obrigá-la a comprar uniformes para os funcionários da manutenção e operação, o que não acontecia há dois anos. A empresa foi multada em R$ 1,2 milhão. Isso eles não mostram”, provoca o presidente do Sindmetro, Lenival Oliveira. O déficit de funcionários no metrô é de mais de 400 pessoas, segundo o Sindmetro.
