UFPE tem três projetos selecionados no Programa Capes/Cofecub

Antônio Assis
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O programa visa fomentar a pesquisa e a formação de recursos humanos de alto nível por meio do intercâmbio científico e mobilidade acadêmica

Três professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tiveram projetos de pesquisa aprovados no Programa Capes/Cofecub, fruto de parceria entre o Brasil e a França: um que busca contribuir para o desenvolvimento de antibióticos, inclusive com ação em bactérias multirresistentes, coordenado pela professora do Departamento de Genética Ana Benko; outro que trata de questões relacionadas à autonomia estratégica da América Latina e Europa em um momento de ameaças geopolíticas, coordenado pelo professor do Departamento de Ciência Política Rafael Mesquita; e um terceiro que investiga como desequilíbrios maternos de vitaminas do complexo B afetam a saúde cardiometabólica dos filhos, coordenado pelo professor do CEFCAV - Cursos de Educação Física do Centro Acadêmico de Vitória (CAV) João Henrique da Costa Silva.

O Programa Capes/Cofecub, realizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil (Cofecub), foi criado com o objetivo de fomentar a pesquisa e a formação de recursos humanos de alto nível por meio do intercâmbio científico e mobilidade acadêmica. Ele segue os termos do Acordo de Cooperação Técnica e Científica assinado em 16 de janeiro de 1967 pelos governos do Brasil e da França.

CIÊNCIA POLÍTICA – O professor Rafael Mesquita afirma que, em um momento no qual ameaças geopolíticas levam tanto a Europa quanto a América Latina a advogarem por autonomia estratégica, o projeto “Autonomia e Reconfigurações Multilaterais: Relações UE – América Latina” explora a tensão entre autonomia e cooperação em três áreas críticas da relação entre as regiões: mudanças climáticas, valores e direitos fundamentais, segurança. Ao longo de quatro anos, pesquisadores brasileiros e franceses vão cooperar em atividades de pesquisa, difusão e formação como publicações, eventos e bolsas sanduíche. Pelo lado francês, o projeto é coordenado pelo professor da Université de Tours Kevin Parthenay (a iniciativa se originou a partir de uma colaboração entre a universidade francesa e a UFPE que, desde 2025, já rendeu uma visita de pesquisa em Tours e um seminário internacional na UFPE). No Brasil, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) será a instituição parceira da UFPE e, na França, a Université de Tours é acompanhada por Sciences Po, Sciences Po Saint-German-en-Laye, Université Clermont Auvergne, totalizando seis instituições e 20 pesquisadores, entre professores titulares, jovens doutores e alunos de pós-graduação.

EDUCAÇÃO FÍSICA – O projeto “Equilíbrio de vitaminas do complexo B na transição nutricional para a saúde cardiometabólica ao longo da vida” investiga como desequilíbrios maternos de vitaminas B9 e B12 afetam a saúde cardiometabólica dos filhos. O projeto de colaboração Brasil-França integra biologia molecular, epigenética e inteligência artificial. Ele visa gerar publicações científicas, formar pesquisadores e desenvolver ferramentas preditivas para estratégias nutricionais personalizadas e políticas de saúde pública. Se na UFPE, ele é coordenado pelo professor João Henrique da Costa Silva e conta com o Laboratório Multiusuário de Nutrição, Atividade Física e Plasticidade Fenotípica e com o Laboratório Multiusuário de Avaliação Física e Processamento de Sinais, na Université Claude Bernard Lyon 1, ele é coordenado pela professora Beatrice Morio e inclui o Laboratoire CarMeN (Cardiovasculaire, Métabolisme, Diabétologie et Nutrition).

GENÉTICA – Os integrantes do projeto “Peptídeos Antimicrobianos Bioinspirados: Desenho Experimental & Aprendizado de Máquina” pretendem desenvolver e testar peptídeos antimicrobianos modificados com ação contra patógenos humanos, incluindo bactérias multirresistentes. Entre outros avanços, a iniciativa prevê a identificação e validação em laboratório de, pelo menos, cinco novos fármacos bioinspirados com atividade contra patógenos multirresistentes. Além da área biomédica, as aplicações desta pesquisa devem se estender à agricultura (no controle de fitopatógenos), à medicina veterinária (por exemplo, tratamentos para infecções em gado, na piscicultura e carcinocultura) e a novos biomateriais (por exemplo, revestimentos antissépticos). Junto à professora Ana Benko, o professor do Departamento de Química Fundamental da UFPE Denys Santos trabalha como vice-coordenador do projeto, que conta com a participação da Fundação Oswaldo Cruz/Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz-CPqAM), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Institut de Biologie et Chimie des Protéines, do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), que fica em Lyon, na França.

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