As cenas de horror em Porto de Galinhas na madrugada de ontem, provocadas por quadrilhas especializadas em arrombamento de bancos, assustaram o País. Duas agências destruídas, tiros em toda direção como numa guerra, incêndio e a destruição de uma galeria comercial atingindo oito lojas formaram um conjunto de imagens que arranharam lá fora o belo cartão postal de uma das praias mais famosas do País.
Triste, muito triste. Mais triste ainda é constatar que Pernambuco virou território do medo, com o gigantismo da onda de violência que já fez o Pacto pela Vida virar letra morta. A sociedade anda insegura, tensa, sem querer sair de casa. O governador Paulo Câmara (PSB) precisa se convencer que não deu certo importar um carioca para comandar a pasta de Defesa. O corporativismo é muito grande na tropa para engolir sotaque carregado nos erres.

Pela política salarial adotada, um delegado passou a ganhar R$ 25 mil, salário compatível para quem optou por uma profissão tão arriscada. Este patamar é, também, o sonho dos coronéis, que embolsam salário de R$ 8 mil, no máximo, em sua grande maioria. Seria, portanto, mais do que justo que os coronéis e suas tropas fossem valorizados como os civis. E isso, pela mensagem do governador que chega segunda-feira para discussão na Alepe, será possível um nivelamento até dezembro do ano que vem. Não está sendo feito de imediato, mas já é um avanço.
Se o Estado, que, naturalmente, tem suas limitações orçamentárias, não tivesse feito este gesto de grandeza com a Polícia Militar, que possa ser entendido como reconhecimento da sua importância como guardiã na segurança da sociedade, este quadro de violência crescente só tenderia a se agravar muito mais, para infelicidade geral dos pernambucanos. Na mensagem, o Governo diz que se trata do maior acordo de valorização funcional da história da PM em Pernambuco, mesmo no momento em que o País passa pela maior crise financeira dos últimos 30 anos, da qual o Estado, evidentemente, não está imune.