Revelações dos grampos telefônicos na igreja
Jailson Paz
Diário de Pernambuco
Diário de Pernambuco
Considerado inimigo do regime militar, dom Helder Camara figura na lista das autoridades católicas vigiadas por agentes de segurança. A vigilância se dava de várias formas. Em reportagem na edição deste domingo, o Diario de Pernambuco detalha a chamada “censura telefônica”, ou melhor, o grampeamento dos telefones a que o ex-arcebispo de Olinda e Recife mais usava. Dom Helder esteve à frente da Igreja Católica local entre 1964 e 1985.
A reportagem é continuidade da matéria publicada no último domingo, 28 de abril, quando o Diariodetalhou com exclusividade o prontuário de dom Helder Camara no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), mantido em sigilo por mais de 14 anos no Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano (Apeje). O prontuário tem 905 páginas e foi analisado pelos repórteres Tércio Amaral e Jailson da Paz.
| Fitas das gravações estão guardadas no Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press |
As escutas telefônicas foram feitas em quatro telefones. Três eram instalados no Recife, sendo dois no Palácio dos Manguinhos e um no Juvenato Dom Vital, onde funcionava a Cúria Metropolitana. O outro telefone grampeado ficava no Mosteiro de São Bento, em Olinda. O mosteiro, casa dos beneditinos, era um ponto de apoio às ações de dom Helder Camara.
Para a reportagem deste domingo (5), oDiario analisou 23 relatórios de escutas telefônicas. Elas foram feitas por investigadores da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Pernambuco e mostram aspectos do funcionamento da Igreja e o pensamento de dom Helder.

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