Uma Cidade Chamada Ilha do Joaneiro

Antônio Assis
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Vista área da Ilha do Joaneiro

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Ciara Carvalho
JC Online

Eles não aceitam mais ser chamados de favelados. Trocaram as palafitas do passado por casas de alvenaria, muitas delas com primeiro andar e equipadas com aparelhos eletrônicos de última geração. Fincada às margens da Avenida Agamenon Magalhães, o principal corredor viário do Recife, a Ilha de Joaneiro é vizinha de prédios luxuosos que, diga-se de passagem, chegaram depois da ocupação.

A localização é excelente. Oficialmente, as cerca de 4.500 casas da comunidade pertencem ao bairro de Campo Grande, na Zona Norte da capital, mas há quem confunda o endereço com o vizinho bairro do Torreão. Com escolas, posto de saúde e mais da metade das ruas calçadas, a comunidade cresceu. Brigou por investimentos sociais, respeito dos órgãos públicos, cidadania. E se orgulha disso.

Entre os moradores, a conversa é uma só. “Comparado ao que a gente era, podemos dizer que somos ricos hoje. Moramos perto de tudo e com mercadinho, padaria, escola, água na torneira. Tem casa boa lá fora que não tem o que a gente tem aqui”, comemora a manicure Severina Domingos de Paula, 42 anos.

Basta conhecer a história de luta da ilha para entender porque as palavras de Severina sintetizam o sentimento geral. Antiga área de mangue, que foi sendo aterrado com a ocupação, o local era cheio de palafitas e os moradores viviam dentro da lama. “A gente acordava com o pé na podridão, com cobra, rato, sangue-suga grudado na perna. Era favelado. Agora não é mais”, diz Sandra Maria Nogueira Sobral, 40, nascida na comunidade.

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