A CPI do Cachoeira, certamente a melhor documentada entre as realizadas nos últimos tempos pelo Congresso, está sucumbindo aos interesses políticos.
Na sessão desta quinta-feira 17, os integrantes da Comissão conseguiram realizar uma manobra que tem tudo para inviabilizar uma investigação mais profunda sobre uma série de personagens que estão no centro do noticiário que envolve o contraventor Carlinhos Cachoeira.
Foram aprovados requerimentos para que 77 pessoas sejam convocadas a depor, além de 36 quebras de sigilos bancários e fiscais. Mas, incompreensivelmente – ou num movimento que só os interesses políticos podem explicar --, três dos principais personagens do caso ficaram de fora: o governador de Goiás, Marconi Perillo, o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, e o jornalista Policarpo Junior, redator-chefe da revista Veja. Cada um ao seu modo, eles aparecem em diferentes momentos do inquérito da Operação Monte, da Polícia Federal, mas não serão incomodados tão cedo. A próxima reunião da CPI ficou marcada, no encerramento da sessão desta quinta, para o próximo dia 5 de junho – dentro, portanto, de três semanas. Ali, os 76 convocados hoje começarão a ser ouvidos. Já é certo que vai demorar muito para chegar a vez dos que ficaram de fora agora. Se chegar.
Brasil 247
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