Mulheres Ultrapassam Homens em Cursos de Mestrado e Doutorado

Antônio Assis
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O Globo

RIO - Da família de nove filhos, dois deles mulheres, Liandra Caldasso foi a única que fez faculdade. Não parou. Depois que a gaúcha de Camaquã, cidade de economia agrícola a cem quilômetros de Porto Alegre, formou-se em Economia pela Universidade Federal de Rio Grande, veio para o Rio fazer mestrado na Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ). Novamente, não quis parar:

— Eu queria completar a etapa seguinte, de doutorado, até porque me interessava trabalhar na área acadêmica.

Tornou-se doutoranda na Pós-Graduação em Políticas Públicas (PPED) do Instituto de Economia da UFRJ. E um exemplo de outro destaque das tabulações feitas pelo GLOBO nos dados do Censo 2010 do IBGE: a proporção de mulheres cursando mestrado e doutorado subiu de 43% em 2000 para 53% em 2010, o que fez com que a presença feminina ultrapassasse a de homens nos níveis mais altos de ensino. A proporção de mulheres também subiu na graduação, de 53% para 57%.

— Minha mãe era dona de casa e foi criada para isso. Mas, por essa razão mesmo, sempre me mostrou a educação como alternativa ao caminho que ela tinha tomado — conta Liandra, hoje professora de Economia da UFRRJ, e que crê que não só a escolaridade influencia a renda: — Há o peso sociocultural de achar que o cuidado com filhos e a casa são tarefas femininas.

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