Anna Ramalho
Quem está habituado a me seguir nesse cantinho das crônicas semanais sabe que Dona Dilma não é propriamente "my cup of tea" - expressão inglesa que adoro e acho finíssima. Especialmente quando usada para falar de nossa presidenta, como ela gosta de ser chamada. Acho-a prepotente, malcriada, e todo dia agradeço a Deus pela bênção de não ter que cruzar com ela no meu dia a dia, como são obrigadas a Ideli e a Gleisi, por exemplo.
Porém, nesses últimos dias, Sua Excelência conseguiu me comover com o discurso durante a instalação da Comissão da Verdade e me deixar com vontade de lhe dar um grande abraço quando, dedo em riste, espinafrou o prefeito insatisfeito com seu quinhão nos royalties do petróleo. Dona Dilma não é bolinho, não. A cena do sujeito sendo enquadrado, que a televisão mostrou, é antológica.
Ela chorou em seu belo e forte discurso diante dos ex-presidentes e de toda a gente. Não se pode aqui falar em demagogia barata ou lágrimas de crocodilo. Dilma Rousseff apanhou muito, sofreu barbaridades na época negra da ditadura - e não cedeu, não entregou seu companheiros, não traiu. Por isso - e quanto isso representa para todos nós que vivemos aquela época de trevas e porradas! - ela merece todo o meu respeito.
Valeu, presidenta!
