
A bacia leiteira do Estado amarga uma perda de 40% por conta dos efeitos da seca no Interior. Os animais estão magros e já não têm boa produção, e parte deles morreu de fome e sede. Novas estratégias para diminuir estes efeitos foram apresentadas, ontem, pelo governador Eduardo Campos e pelo secretário de Agricultura, Ranilson Ramos, em Itaíba, no Agreste Meridional, a 330 quilômetros do Recife. O pacote de medidas emergenciais inclui o aumento de 22% do preço do litro de leite pago aos pequenos produtores integrantes do Programa Leite de Todos e a compra de ração no Centro-oeste.
“O leite de vaca que hoje compramos direto do fornecedor por R$ 0,76 vai para R$ 1. Já o de laticínio sobe de R$ 1,26 para R$ 1,50. É uma maneira de regular o mercado, que está em crise. O aumento já começa a valer na segunda quinzena do mês”, explicou Ranilson Ramos. O valor do litro de leite de cabra também subirá de R$ 1,30 para R$ 1,65. O incremento no valor dá mais recursos financeiros aos produtores para gastos com comida e água aos animais.
A compra de ração terá recursos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Serão disponibilizadas mais de 300 toneladas de milho para ração animal. “Vamos buscar milho mais barato no Centro-oeste, porque a saca hoje no Estado está custando R$ 32. Com isso poderemos vender o milho a R$ 18”, contou o governador Eduardo Campos. O projeto prevê que cada criador compre até três toneladas ao mês do alimento. Para que ele tenha acesso ao incentivo terá que apresentar o Documento de Aptidão ao Pronaf (DAP). Outra medida anunciada é voltada para aqueles que preferirem comprar o bagaço de cana-de-açúcar para alimentar os animais. Neste caso, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) irá disponibilizar carretas para fazer o transporte, que em geral vem acontecendo entre Pernambuco e Alagoas.
Para evitar a mortalidade das matrizes, o governador destacou ações para resgatar a palma, que é o principal alimento dos animais. A vegetação comum foi consumida pela praga da Cochonilha Carmim, e agora se tenta disseminar no Estado novas espécies de palmas resistentes. “Vamos plantar 600 hectares no Agreste e outros 300 hectares no Sertão. Contamos com ajuda dos prefeitos das cidades atingidas para verificar onde podem acontecer as plantações”, disse. Outra medida anunciada por ele foi a desoneração do ICMS para a compra de ração animal. Além dessa isenção o governador também prometeu tentar novos incentivos fiscais junto a empresários de outros estados que enviam insumos para a bacia leiteira.
Folha-PE