Clube da Farra Volta, Mas Por Uma Noite

Antônio Assis
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JC Online

“Só nas tabernas é que encontro meu abrigo/ cada colega de infortúnio é um grande amigo/ que embora tenham, como eu, seus sofrimentos/ me aconselham e aliviam o meu tormento”. O trecho do bolero O ébrio, conhecida na voz cheia de saudade de Vicente Celestino, na década de 1930, descreve com propriedade o clima de boemia que imperava no bairro das Graças, no Recife, na virada dos anos 1980 para os 1990. Para celebrar a camaradagem vigente nos vários bares da região nesse período, acontece nesta sexta (18) a festa do Clube da Farra, em homenagem aos 23 anos do bar homônimo, na Barrozo Recepções, a partir das 21h.

Relembrando o repertório que saía das fitas cassete e dos discos de vinil do bar, as bandas Má Companhia e Caetano se apresentam na festa, que conta com serviço de bebidas à vontade. A Má Companhia traz releituras do rock dos Beatles, Bob Dylan, Dire Straits, Creedence, Led Zeppelin e Pink Floyd, entre outras recorrências do extinto bar, enquanto a Caetano traz canções de Caetano Veloso. Os ingressos, em formato dos “cartões de sócio” da época, custam R$ 100, e podem ser adquiridos no Restaurante Antiquário, na Rua do Cupim.

O Clube da Farra tinha a alma impregnada de boemia. Era um lugar de encontros, música e porres – testemunha da formação da cabeça da geração que tem hoje entre 40 e 50 anos. “Era um lugar para boêmios profissionais, os clientes entravam na happy hour, por volta das 18h, e só saíam no outro dia, às 7h da manhã”, relembra Cleodon “Bode” Valença, um dos fundadores do bar. “Lá, havia um aparato especial para receber os frequentadores. Para evitar que eles fossem para casa dirigindo, depois de uma madrugada de farra, disponibilizávamos um quarto com camas e redes. Também tínhamos a Ambufarra, uma Kombi que deixava as pessoas em casa e também fazia delivery de bebidas”, resgata.

Jair Pereira, ex-secretário de imprensa estadual, lembra do declínio da boemia recifense nas Graças, quando esta começou a se deslocar para o Bairro do Recife. “Houve uma movimentação dos moradores contra os bares da região, pelo barulho que havia até de madrugada. Depois de fundado, em 1989, o Clube da Farra chegou ao fim por volta de 1993, pela pressão dos moradores do bairro, inclusive com apoio político”, lamenta.O lugar, contudo, permanece vivo na memória dos recifenses, que têm nesta sexta (18), nem que seja apenas por uma noite, uma madrugada das antigas.

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