Aliados do governo pedem a cabeça de Ideli e fingem desconhecer que é Dilma quem manda

Antônio Assis
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BLOG DO JOSIAS DE SOUZA
Na época em que a psicanálise ainda era novidade, o mundo imaginou ter descoberto a culpada de todas as neuroses e angústias. A culpada de tudo era a mãe. Com o passar do tempo, percebeu-se que não era bem assim. Mas a mãe jamais se livrou completamente da má fama.
Mergulhados em crise existencial, os apoiadores do governo realizam no Congresso uma espécie de psicanálise de grupo. Em todas as rodas ficou fácil identificar os políticos governistas. São aqueles que estão falando mal da ministra Ideli Salvatti, coordenadora política do Planalto.
Generalizaram-se no Legislativo as críticas à ex-senadora do PT catarinense. Nove meses depois de assumir a pasta das Relações Institucionais, Ideli tornou-se a culpada de tudo. Os partidos da coalizão inauguraram um movimento subterrâneo cujo objetivo é levar o escalpo da ministra à bandeja.
Ideli é politicamente inábil, dizem os críticos mais amenos. Ela é tosca, desastrada e arrogante, afirmam os mais ácidos. Em comum, o mesmo imutável diagnóstico: aos olhos dos membros do condomínio, a desarticulação que envenena as relações do governo com seus aliados traz as digitais de Ideli.
A psicanálise dos congressistas precisa ser analisada. Nos descaminhos que levaram aos abismos da alma, perdeu-se o essencial: acima de Ideli está Dilma Rousseff. A ministra pode ser inábil, tosca, desastrada e arrogante. Sua passagem pelo Senado a fez merecedora de alguns desses adjetivos. Mas, no Planalto, ela não faz senão ecoar a presidente da República, mãe de todas as ordens.
Cândido Vaccarezza e Romero Jucá, os líderes que Dilma afastou na Câmara e no Senado, viviam às turras com Ideli. Imaginando-se em litígio com a ministra, desentendiam-se com Dilma. Rodaram porque a dona da caneta já não se julgava representada pela dupla.




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